Dalila
08 abril 2026
Entrevista - 2009
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O seu a seu dono: a foto foi tirada por Pedro Teixeira da Mota, como ele informa no seu blog homónimo. As minhas desculpas, a ignorância gerou a omissão.
31 maio 2025
Deus Absconditus
Iniciei este espaço em Julho de 2012. Até Novembro de 2019 tinha publicado 12 breves textos. A ideia era deixar aqui nota da leitura e estudo da obra de Dalila Lello Pereira da Costa.
A partir daquela data não me foi possível prosseguir e a iniciativa ficou ao abandono, infinitamente menos pelas contingências da vida do que por não ter alcançado «a ultrapassagem de uma primeira leitura imediata do conteúdo e do estilo da [sua] escrita [...], superado o "mar tenebroso" da sua decifração simbólica e o choque racional sentido» [a expressão é de Miguel Real, em estudo publicado pela Editora da Universidade Católica, na colectânea editada em comemoração do centenário do seu nascimento], condição para ser capaz de mais do que entender, sentir o conteúdo e o significado do que escreveu.
Como com clareza o referiu o Padre Ângelo Alves no prefácio ao livro que de seguida anunciarei: «Para quem se situe dentro do logicismo racionalista, medindo o real pelo racional, ou, em teologia, se limite aos cânones do dogma e sua explicação intelectualista, histórica e culturalmente situada: quem possuir uma mentalidade filosófico-teológica tradicional, inclinada a medir todo o experimentalismo religioso e místico dentro dos parâmetros da ortodoxia ou heterodoxia, enfrentará, certamente, a obra mística da Dra. Dalila como um castelo amuralhado, em colina altaneira, envolto em nevoeiro denso» [página 8]. E continua, permitam-me a citação: «A esse nevoeiro uns darão o nome de ecletismo religioso, outros, de esoterismo filosófico-místico e outros ainda, de gnosticismo cristão».
Fui entretanto reunindo o que julgo ser a quase totalidade da sua obra.
Volvi, entretanto, sobre os próprios passos e retomei, agora em leitura vagarosa, a "biografia espiritual" intitulada Os Instantes, edição conjunta daquela mesma Universidade e da Lello Editores, vinda a público em Dezembro de 1999. Fica sem porquê como é que tal me sucedeu.
Foi-me possível, enfim, o primeiro passo da desocultação, de imediato da existência desta biografia com tal perfil e não o relato de vida de um ser material, corpóreo, dotado de vivência exterior social, familiar, pessoal, em suma, o que dá azo e pretexto a tantas narrativas do passado próprio ou do pretérito alheio.
Ter escrito uma biografia com aquele perfil, não foi opção de Dalila, mas resultado da circunstância, por ela detalhadamente revelada neste livro de 85 páginas, de um «caminho de interioridade» que lhe permitiu ter alcançado o «possível atingimento duma iluminação», fruto dos «raros instantes a nós concedidos de apercepção ou união com o divino, como atingimento da plenitude da vida», esses que são os «conduzentes e determinantes do percurso tomado nessa vida», ante os quais «todo o resto, como acontecimentos terrenos duma biografia, se poderão ver tão-somente, como vestígios de morte, pertenças de nosso falso eu, externo» [página 23].
Delineado qual o caminho, o leitor pressente a sua imanente natureza, logo anunciado pela autora: «Assim, seremos, em cada um de nós, um meio, imperfeito e na humildade, de transmissão, na secreta economia do divino, pela qual Deus Absconditus se revela num mundo terreno, num dos Seus nomes».
Tudo isso resultou não de estudo prévio, intelectualizado, orientado a procurar a verdade congruente, mas de estados extáticos, cujos momentos, configuração e sinais descreve [páginas 28-44], os «três instantes», o primeiro ainda em Coimbra, na Primavera de 1938, o segundo ao fim da tarde do dia 1 de Setembro de 1947, no Porto, o último ao fim da tarde também, do dia 30 de Janeiro de 1968, em Charleroi, cidade belga, situada na região da Valónia, tudo seguido de anúncios convergentes por «múltiplas imagens [...] sempre nesse ver sem imagem sensível; nunca o exterior em alucinações» [página 36].
Descreve-os no seu artigo de primícias, publicado em 1970 na revista Esprit, levado a livro, em Portugal e publicado em 1972 como um dos capítulos do livro A Força do Mundo. A eles regressarei e a este livro.
E enuncia-os com a íntima certeza de que «estes três instantes, vivido entre Coimbra, Porto e Charleroi, ao longo desse anos, seriam os que fundamentaram e determinaram um percurso então escolhido por uma existência; como marcados pela vontade providencial, escondida. Nunca nada é fruto do acaso».
02 novembro 2019
A ressurreição do passado
01 março 2018
Exaltação! Congresso, já Domingo
08 abril 2015
Recordar Dalila L. Pereira da Costa (1918-2012)
08 julho 2014
De uma longa caminhada
25 junho 2013
Saudade
Criei este espaço porque queria dedicá-lo. Não que fosse um especialista, mesmo apesar por não ter acompanhado quantos têm escrito sobre a sua obra, os que conheceram a sua pessoa. Sim pela invulgaridade do que li, a excepcionalidade do sentimento que transmite.
29 março 2013
O reencontro
05 setembro 2012
O Mensageiro
18 agosto 2012
Promessa e dom
13 agosto 2012
Os Instantes
Para compreender a sua obra há que entender a sua vida. Contou-a na primeira pessoa num texto invulgar a que chamou Os Instantes. O organizador Ângelo Alves imaginava que respondesse a um inquérito biográfico e acabou por sentir acanhamento ante o teor das respostas que recebeu. Eliminou por isso as perguntas tal como as tinha formulado.
De uma «autobiografia espiritual se trata», narrativa não do acontecido mas do vivido, ante o conhecimento outorgado, em dever imperioso, em obrigação de partilha.
Assim sucedeu através da mística, «a ciência experimental de Deus», ela que «depois de um longo silêncio» viu ser-lhe assinalada «a missão de escritora», após anos de «leituras de mestres da vida, mais do que mestres do pensamento».
Tudo pela Fé, também pelo amor à sua Pátria. com ela sofrendo partilhadamente a agonia.
Voltaremos tantas vezes a este livro quantas as necessárias para a encontrar, autêntica.
30 julho 2012
Experiência do êxtase
De superstição, em suma, se tratava, essa forma de conhecer pelos sinais, ou de adivinhação esse saber pela esperança.
A realidade organizou-se, enfim, em torno dessa minha verdade intuída: o livro ao qual me recusava como primícias, não foi o seu primeiro escrito, foi-o sim, uma publicação em francês, editada pela revista Esprit, em Novembro de 1970 e que traria em livro em 1972, juntando-lhe outros escritos, e a que chamaria A Força do Mundo. Encontra-o aqui quem o quiser adquiri na íntegra. Ao alto a primeira página.
Eis o retorno ao lugar interrompido. Foi em Novembro do passado ano [aqui]









