Experiência do êxtase


Não me apetecia, por uma estranha teimosia interior, começar por aquele que é o seu primeiro livro O Esoterismo de Fernando Pessoa. Racionalizando, talvez por haver tanto sobre o poeta da Mensagem, hoje vulgarizado e à espera que o esquecimento se apiede da sua alma. Mas não era razão que me convencesse. Porque houve nesse seu interesse por Pessoa uma singularidade, como acentuou António Quadros - cuja grandeza se exprimiu em ter emprestado o esforço e o tempo a sistematizar o disperso pensamento dos que da filosofia portuguesa se reclamavam - a de ter revelado o seu lado «sedento de oculto», os aspectos «neopagãos, esotéricos, gnósticos, místicos» que João Gaspar Simões, até então o seu monumental biógrafo, havia apenas entrevisto.
De superstição, em suma, se tratava, essa forma de conhecer pelos sinais, ou de adivinhação esse saber pela esperança.
A realidade organizou-se, enfim, em torno dessa minha verdade intuída: o livro ao qual me recusava como primícias, não foi o seu primeiro escrito, foi-o sim, uma publicação em francês, editada pela revista Esprit, em Novembro de 1970 e que traria em livro em 1972, juntando-lhe outros escritos, e a que chamaria A Força do Mundo. Encontra-o aqui quem o quiser adquiri na íntegra. Ao alto a primeira página.
Eis o retorno ao lugar interrompido. Foi em Novembro do passado ano [aqui]